Dream on

O sonho de morar fora começou assim: quando muito pequena, antes de completar os 7 anos de idade, meus pais me matricularam no Yázigi. Lembro-me de que sempre gostei muito de estar lá, de ir às aulas e de estudar inglês. Fui entendendo um pouco mais da língua, quando finalmente consegui acompanhar algumas músicas – eu adorava  prestar atenção na cara dos meus amiguinhos de escola que, na época, ficavam meio abobalhados com o fato de eu conseguir acompanhar In the End, do Linkin Park. E eu continuei a gostar mais e mais da língua.

Não posso dizer com certeza, mas acho que foi quase instantâneo: eu quis ir embora logo que comecei a estudar inglês.

Aí cresci mais um pouquinho e cheguei ao ensino médio. Perturbei, perturbei e perturbei os meus pais pra eu fazer high school no exterior. Nem os Régios¹, nem a Nina²  foram a favor da idéia. As justificativas sempre foram duas:

  • Grana – provavelmente o motivo de muita gente não ir a um intercâmbio;
  • Maturidade – diziam que eu não era madura o suficiente. Talvez eu realmente não fosse, mas acho que o que eles não queriam mesmo era ficar longe de mim :)

Aí cresci mais um pouquinho. Milhões de mudanças aconteceram em minha vida: terminei o ensino médio, entrei na faculdade, larguei a faculdade, mudei de cidade, morei com meus tios, comecei outra faculdade, voltei a morar com meus pais. E em momento algum deixei de lado o sonho de ir a um intercâmbio, sempre com a mamãe dizendo: “Cada coisa no seu tempo, Virgínia.”

Finalmente, parece que esse tempo chegou. O governo criou o programa Ciências sem Fronteiras e hoje, às 10 e pouco da noite chegou o email mais esperado da minha vida:Mais pertinho:

Os próximos passos? Escolher três universidades, ser aceita por uma delas e depois… Entrar no avião!

 

¹ Marta Régia e Oitavo, os meus Reginhos.

² A chata da Aline Régia, minha tia. Tão fundamental na minha educação quanto meus pais.

 

Observação: O texto tava escrito há tempos, só faltava o tal do email!

7 thoughts on “Dream on

  1. Filha, leia um trechinho de Eclesiastes 3:
    Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
    Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
    Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
    Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
    Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
    Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
    Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz..

    Chegou o tempo pelo qual você tanto esperou. Tempo de conhecer novas culturas, de reforçar seus conhecimentos em inglês e francês, de crescer como pessoa e assumir grandes responsabilidades.
    Painho, mainha, Nina e Sá não estarão por perto para ampará-la, protegê-la, fazer comidinhas deliciosas, dar colo ou arrumar seu bagunçado armário. Caberá a você tomar as decisões acertadas. E mais do nunca lembre-se: nesse novo tempo o que você plantar, renderá bons frutos para o seu futuro,seja no campo pessoal, afetivo ou profissional.
    Vou sentir tanta saudade que nem sei como lidarei com ela, mas a certeza de que é o melhor para você me basta. Beijos.

  2. “Poema de sete faces

    Quando nasci, um anjo torto
    desses que vivem na sombra
    disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

    As casas espiam os homens
    que correm atrás de mulheres.
    A tarde talvez fosse azul,
    não houvesse tantos desejos.

    O bonde passa cheio de pernas:
    pernas brancas pretas amarelas.
    Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
    Porém meus olhos
    não perguntam nada.

    O homem atrás do bigode
    é sério, simples e forte.
    Quase não conversa.
    Tem poucos, raros amigos
    o homem atrás dos óculos e do bigode.

    Meu Deus, por que me abandonaste
    se sabias que eu não era Deus,
    se sabias que eu era fraco.

    Mundo mundo vasto mundo
    se eu me chamasse Raimundo
    seria uma rima, não seria uma solução.
    Mundo mundo vasto mundo,
    mais vasto é meu coração.

    Eu não devia te dizer
    mas essa lua
    mas esse conhaque
    botam a gente comovido como o diabo”.

    Carlos Drummond de Andrade.
    .


    Com licença poética

    Quando nasci um anjo esbelto,
    desses que tocam trombeta, anunciou:
    vai carregar bandeira.
    Cargo muito pesado pra mulher,
    esta espécie ainda envergonhada.
    Aceito os subterfúgios que me cabem,
    sem precisar mentir.
    Não sou tão feia que não possa casar,
    acho o Rio de Janeiro uma beleza e
    ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
    Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
    Inauguro linhagens, fundo reinos
    — dor não é amargura.
    Minha tristeza não tem pedigree,
    já a minha vontade de alegria,
    sua raiz vai ao meu mil avô.
    Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
    Mulher é desdobrável. Eu sou.”
    .
    Adélia Prado

    Pequenas reflexões ou divagações filósoficas de pai.

    Alguns já me falaram: por que você não escreve um blog? Sempre respondo. Não tenho estofo – palavra horrorosa -, para tanto. Acredito que blog tem que ter conteúdo. Tem que ter algo que se possa ler e sentir que acrescentou alguma coisa. Ou seja: tem que ter o tal do estofo. Ter um blog, por ter, prefiro não tê-lo.
    .
    Como não tenho, aproveito o espaço do VIRGÍNIA NO CANADÁ, para pequena reflexão sobre este momento.
    .
    Recorro à sabedoria e poesias de dois mineiros: um homem, e uma mulher. E, em sendo assim, não é de se estranhar que as visões sejam totalmente diferentes. Não é a toa que, dizem alguns, “homens são de marte, mulheres são de vênus!”. Outros, mais espertos, ecoam: “se as mulheres são de vênus, é prá lá que eu vou.”
    .
    Entre a poesia de Drummond e a de Adélia, prefiro a última. Não acredito em ser guache na vida como obra do destino. Guache na vida é opção para fracos. Se o bonde passa cheio, não há que perguntar-se por que o bonde está cheio e prá que tantas pernas. O bonde da história não se perde. Não dá prá achar que o meu anjo da guarda seja um “anjo torto” e deseje um futuro medíocre para mim.
    .
    Como a vida é feita de escolhas, fico com o anjo que trombeteia:

    “vai carregar bandeira.”
    “… minha vontade de alegria,
    sua raiz vai ao meu mil avô.
    Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
    Mulher é desdobrável. Eu sou.”
    .

    Se cada coisa tem seu tempo propício, eis que este momento chegou. A Universidade aqui ainda é desejo e senho de muitos. Lá fora é sonho para poucos. Alcançá-lo aqui e lá fora é pra quem acredita que um lugar no bonde da história está reservado apenas para quem está preprado. Portanto, para criar linhagens, e fundar reinos, 3 pequenos conselhos de pai:
    .
    Estudas, estudas, estudas. Verás no futuro que, serás uma menina de sorte, à medida em que seguires estes 3 pequenos conselhos: estudas, estudas, estudas.
    .
    Que Deus te proteja e te guie.
    .
    Estarei por aqui. Tempo não me faltará para acompanhar-te por aí.
    .
    See you next year in Canadá. Escuse-me my English bad.
    .
    Com carinho.
    .
    Oitavo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s