A novela do IELTS – parte 1

Ir a um intercâmbio não é simplesmente dizer “Vou-me embora! Tchau!”. É óbvio que há um zilhão de coisas a ser fazer antes. Se o lugar para o qual pretende-se ir não tem como língua o português, é muitíssimo provável que você tenha de fazer um teste de proficiência antes. Como concorro para o Canadá pelo programa Ciências sem Fronteiras, tive a opção de escolher entre o TOEFL e o IELTS (versão academic). Lembre que há inúmeros outros testes de proficiência em língua inglesa. A escolha deve ser feita de acordo com o que o programa/universidade exija. É bom ficar esperto em relação a isso!

Escolhi o IELTS porque era o que dispunha de data mais próxima. A chateação começou quando adiaram a prova, que deveria ter sido feita no dia 14 de abril, para duas semanas depois. O British Council, empresa responsável pela aplicação do exame, apenas mandou um e-mail sem maiores justificativas avisando que o teste havia sido remarcado. Ok. Não havia nada que eu pudesse fazer depois de já ter pago os R$440,00. (Sim, se você pretende estudar fora, mesmo com o auxílio do governo, é bom ter uma grana preparada.)

Minha prova foi aplicada na UFRN, em Natal. Dividiram-na em duas etapas: tive de ir pela manhã, para fazer a entrevista oral e depois à tarde, para as provas de listening, reading e writing. Chegando ao campus pro speaking, eu estava tão nervosa que, ao estacionar, bati o carro numa árvore. Pra completar, havia faltado energia.A entrevista foi feita no escuro, mesmo. No geral, achei tranqüila. A entrevistadora (muitíssimo simpática, por sinal!) perguntou algumas coisas sobre mim, se eu gostava de fazer atividade física, de viajar e de receber visitas. Essa primeira parte é bem bobinha. Depois começa a complicar um pouquinho, porque chega um momento em que é preciso argumentar. Foi-me perguntado se eu era a favor do ensino de história e de aulas de campo. Não basta dizer “Yes, I am” ou “No, I’m not”. Enquanto as respostas são sobre você, é tudo bem mais fácil e a conversa flui com tranquilidade – ao menos pra mim. Na parte final da entrevista, tive de falar sem parar por 2 minutos sobre um tema que ela escolheu.

Antes de começar o falatório infinito (2 minutos parecem a eternidade!), ela me apresentou o tema, me deu uma folha de papel e um lápis para eu rascunhar mais ou menos o que falaria. Segundo ela, tive um minuto para o preparo. Eu acho que é mentira, porque mal terminei de escrever duas palavras e ela soltou um “Please, stop writing!”. Não cheguei a ficar desesperada, mas fiquei mais nervosa. Meu tema foi pra falar sobre um prédio histórico famoso. Escolhi a Casa Rosada, na Argentina, e acabou não sendo tão difícil quanto imaginei. Minha dica nesse momento é: escolha algo que você conheça muito bem. Não sei por quanto tempo falei, mas quando a entrevistadora percebeu que eu já não tinha mais de onde tirar informação, começou a me perguntar uma besteira ou outra, sobre Buenos Aires e tal. Fim da primeira etapa de prova.

Eram 10 e pouco da manhã quando terminei o speaking. Pensei em voltar pra casa e almoçar com meus pais, mas acabei me encontrando com o Renan, que trabalha na Secretaria de Relações Internacionais da UFRN, e ele perguntou se eu não gostaria de almoçar por perto pra dar um apoio pra Ana Sara, que ficaria lá até a segunda parte de provas sem almoço. Concordei e fui com ela fazer hora no Natal Shopping. Nesse tempo, descobri que a doida quer fazer intercâmbio na Coréia! O engraçado é que na noite anterior, mamãe e eu conversávamos sobre isso: “Quem diabos quer sair daqui pra morar na Coréia?”. Ok, ok. Tem quem queira, pelo visto.

Terminamos nosso almoço e voltamos pra UFRN, que ainda estava sem luz. Começou a chegar gente. Muita gente. Muita gente mesmo. O desespero aumentou: eu não parava de pensar que todo aquele povo que estava ali era concorrência. Tentei expulsá-los mentalmente, mas não rolou. No fim das contas, acabei conhecendo algumas pessoas da engenharia química que estavam lá e nem foi tão chato. O pessoal é gente boa e, agora que não somos mais tão concorrentes, já até gosto deles. Conheci também uma guria que faz comércio exterior e que tá tentando ir pra Austrália. Jamais pensei que faria amigos esperando pelo IELTS.

Como não ia ter como fazer prova no calor e no escuro, mandaram-nos pra um laboratório do outro lado do campus que tinha gerador. Lá fomos nós. Chegando ao auditório, metade das cadeiras não tinham braço para escrever. Tudo bem. Os meninos se encarregaram de buscar cadeiras para as meninas e tudo se resolveu.

Antes de começar a prova, a examinadora (que foi a mesma da entrevista) nos deu algumas orientações e mandou que os celulares fossem desligados. Quando estava tudo pronto, começou o listening. Pra quem tá acostumado a fazer prova no curso de inglês que tem o áudio repetido 3 vezes, esqueça! A gente só tem direito a ouvi-lo uma vez. Tem que ter uma concentração absurda. Ao final do listening, temos 10 minutos para a transcrição das respostas no cartão oficial. É a única parte da prova que o tempo não é um problema.

Após o listening, vem a prova de reading. Foram 3 textos. Pelo que li por aí, dizem que os textos são: um fácil, um razoável e um difícil. Eu, Virgínia, achei os três razoáveis. Quase todas as questões são de múltipla escolha. As que não são, temos de preencher as lacunas. O problema da prova é um só: tempo. Não dá pra pensar muito, tem que ler e já marcar no cartão de respostas. Terminei todas as questões quando faltava 1 minuto para que o tempo acabasse. Resumindo, não deu pra conferir o que tinha feito. Fiquei tensa, porque ninguém nesse mundo erra mais besteira do que eu.

Finalmente, o writing. Dessa vez, 2 textos. É preciso que escrevamos um texto com 150 e outro com 250 palavras. Temos 20 minutos para o primeiro e 40 para o segundo. Aqui, vale o mesmo esquema do reading: não dá pra pensar muito. O tempo é muito, muito curto e passa voando. O primeiro texto que tive de escrever foi bem fácil: interpretação de um gráfico. O segundo, nem tanto. Não me lembro exatamente como era, mas tinha a ver com publicidade. Achei um saco. Quando faltam 15 minutos para o término do tempo, a examinadora começa a anunciar. “There are 15 minutes left, guys”. “10 minutes left, guys!”. “5 minutes left”. “2 minutes left”. É uma tensão dos demônios. Acabei de escrever quando faltavam alguns segundos. “Pencils down!”, disse a examinadora e, obviamente, não deu pra conferir ortografia, nem nada. Entrei em desespero, entreguei a prova e vim pra casa. O resultado só em 13 dias.

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